Para contrair uma coisa, devemos, certamente, primeiro expandi-la.
Para enfraquecê-la, devemos, certamente, primeiro fortalecê-la.
Para derrota-la, devemos, certamente, primeiro exaltá-la.
Para despojá-la, devemos, certamente, primeiro presenteá-la.
Essa é a chamada sabedoria sutil.
Lao Tsé
Para
compreender o Tao é preciso saber que o pensamento chinês é diferente do
pensamento lógico ocidental. A palavra chinesa é um símbolo eficiente capaz de
evocar na mente um conjunto de imagens e emoções que transmite um padrão
orgânico, não apenas um signo abstrato.
Tao
é uma palavra de origem chinesa cujo significado literal é “o caminho”. Foi
descrito por LaoTsé em versos. Trata-se de um conceito simples mas que não pode
ser explicado. Aproxima-se do conceito hinduísta de Brahman e do Dharmakaya
budista e vai além de um caminho físico ou espiritual. Diz respeito ao
absoluto, ao processo do universo, à ordem da natureza. Um todo uno gera os
pares de opostos complementares que mantêm padrões cíclicos em fluxo contínuo
de mudança.
É
um conceito muito antigo que só pode ser apreendido por intuição. O Tao não transcende o mundo. Ele é a
totalidade da expressão natural e espontânea de todas as coisas. Cada coisa é o
que é. Por isso o Tao nada faz, pois
não precisa fazer nada para que aquilo que deve ser feito, seja feito. Ação sem
ação.
Abaixo
o diagrama chinês do Tao, a representação dos pólos Yin e Yang:
O
círculo incolor e vazio representa a tese do absoluto, o ser puro, a divindade:
Este
círculo aponta para os rumos relativos do de-vir, do vir a ser, o potencial. O
Um gera o Dois: antíteses, isto é, todos os pares de opostos complementares:
yang e yin, positivo e negativo, masculino e feminino, dia e noite, luz e
sombra, céu e terra. O ser unitário, gera o dois criando movimento.
“Essas duas Antíteses amadurecem na
Síntese, rumo à Tese inicial, integrando-se nela sem se diluir.” (Humberto
Rohden).
“O yang tendo alcançado seu apogeu,
retrocede em favor do yin; o yin tendo alcançado seu apogeu, retrocede em favor
do yang.” (Yu-Ian).
Assim
como na natureza, o Tao permeia os paradoxos da realidade humana. Temos dia e
noite, luz e sombra, assim como prazer e desprazer, riqueza e pobreza,
felicidade e sofrimento, abundância e escassez. As palavras de Fritjof Capra ilustram
a aplicação dos princípios taoistas na sociedade:
Na concepção chinesa, é
melhor possuir muito pouco do que demasiado, e é melhor deixar coisas por fazer
do que fazê-las em exagero, porque, embora não se possa ir muito longe
procedendo assim, certamente caminhar-se-á na direção correta. Assim como o
homem que quer ir sempre mais e mais longe em direção ao leste, acabará por
chegar ao oeste. Aqueles que acumulam mais e mais dinheiro a fim de ampliar sua
riqueza acabarão na pobreza. A moderna sociedade industrial que, em sua
tentativa contínua de elevar o “padrão de vida” faz decrescer a qualidade de
vida para todos os demais membros, constitui uma ilustração eloquente dessa
antiga sabedoria chinesa.
A filosofia do Tao propõe práticas e condutas que mantenham o estado pleno e
saudável de vida e consciência. No pensamento chinês a saúde e equilíbrio é o
estado natural humano, a doença é resultado da má circulação ou bloqueio no
fluxo da energia yin e yang, em cada pessoa.
Esses bloqueios são causados por maus hábitos: pelo stress, poucas horas de
sono, pela má alimentação e respiração, abuso de substâncias nocivas e por
todas as emoções negativas não transformadas que sobrecarregam órgãos, tecidos
e sistemas de energia no corpo. Quando esta sobrecarga chega a um clímax, seus efeitos nocivos atrapalham
o fluxo da energia pelo corpo. Quanto mais tempo o bloqueio existir mais
tempo de tratamento seria necessário para desfazer este bloqueio.
A
prática de Tai Chi Chuan, meditação, Chi Kung, Kung Fu, a fitoterapia e a
acupuntura são utilizadas para promover equilíbrio e tratar o desequilíbrio
(doença).