domingo, 26 de julho de 2015

Que é esse tal de Tao???


Para contrair uma coisa, devemos, certamente, primeiro expandi-la.
Para enfraquecê-la, devemos, certamente, primeiro fortalecê-la.
Para derrota-la, devemos, certamente, primeiro exaltá-la.
Para despojá-la, devemos, certamente, primeiro presenteá-la.
Essa é a chamada sabedoria sutil.
Lao Tsé
           

            Para compreender o Tao é preciso saber que o pensamento chinês é diferente do pensamento lógico ocidental. A palavra chinesa é um símbolo eficiente capaz de evocar na mente um conjunto de imagens e emoções que transmite um padrão orgânico, não apenas um signo abstrato.
            Tao é uma palavra de origem chinesa cujo significado literal é “o caminho”. Foi descrito por LaoTsé em versos. Trata-se de um conceito simples mas que não pode ser explicado. Aproxima-se do conceito hinduísta de Brahman e do Dharmakaya budista e vai além de um caminho físico ou espiritual. Diz respeito ao absoluto, ao processo do universo, à ordem da natureza. Um todo uno gera os pares de opostos complementares que mantêm padrões cíclicos em fluxo contínuo de mudança.
            É um conceito muito antigo que só pode ser apreendido por intuição. O Tao não transcende o mundo. Ele é a totalidade da expressão natural e espontânea de todas as coisas. Cada coisa é o que é. Por isso o Tao nada faz, pois não precisa fazer nada para que aquilo que deve ser feito, seja feito. Ação sem ação.
            Abaixo o diagrama chinês do Tao, a representação dos pólos Yin e Yang:


           
            O círculo incolor e vazio representa a tese do absoluto, o ser puro, a divindade:


            Este círculo aponta para os rumos relativos do de-vir, do vir a ser, o potencial. O Um gera o Dois: antíteses, isto é, todos os pares de opostos complementares: yang e yin, positivo e negativo, masculino e feminino, dia e noite, luz e sombra, céu e terra. O ser unitário, gera o dois criando movimento.

  
“Essas duas Antíteses amadurecem na Síntese, rumo à Tese inicial, integrando-se nela sem se diluir.” (Humberto Rohden).

“O yang tendo alcançado seu apogeu, retrocede em favor do yin; o yin tendo alcançado seu apogeu, retrocede em favor do yang.” (Yu-Ian).
           
            Assim como na natureza, o Tao permeia os paradoxos da realidade humana. Temos dia e noite, luz e sombra, assim como prazer e desprazer, riqueza e pobreza, felicidade e sofrimento, abundância e escassez. As palavras de Fritjof Capra ilustram a aplicação dos princípios taoistas na sociedade:

Na concepção chinesa, é melhor possuir muito pouco do que demasiado, e é melhor deixar coisas por fazer do que fazê-las em exagero, porque, embora não se possa ir muito longe procedendo assim, certamente caminhar-se-á na direção correta. Assim como o homem que quer ir sempre mais e mais longe em direção ao leste, acabará por chegar ao oeste. Aqueles que acumulam mais e mais dinheiro a fim de ampliar sua riqueza acabarão na pobreza. A moderna sociedade industrial que, em sua tentativa contínua de elevar o “padrão de vida” faz decrescer a qualidade de vida para todos os demais membros, constitui uma ilustração eloquente dessa antiga sabedoria chinesa.

            A filosofia do Tao propõe práticas e condutas que mantenham o estado pleno e saudável de vida e consciência. No pensamento chinês a saúde e equilíbrio é o estado natural humano, a doença é resultado da má circulação ou bloqueio no fluxo da energia yin e yang, em cada pessoa.
            Esses bloqueios são causados por maus hábitos: pelo stress, poucas horas de sono, pela má alimentação e respiração, abuso de substâncias nocivas e por todas as emoções negativas não transformadas que sobrecarregam órgãos, tecidos e sistemas de energia no corpo. Quando esta sobrecarga chega a um clímax, seus efeitos nocivos atrapalham o fluxo da energia pelo corpo. Quanto mais tempo o bloqueio existir mais tempo de tratamento seria necessário para desfazer este bloqueio.

            A prática de Tai Chi Chuan, meditação, Chi Kung, Kung Fu, a fitoterapia e a acupuntura são utilizadas para promover equilíbrio e tratar o desequilíbrio (doença).