Para a Medicina Tradicional Chinesa, a má distribuição de energia vital
é a causa das enfermidades. Assim, a acupuntura estimula alguns dos cerca de
mil pontos existentes no corpo para reequilibrar o organismo.
A terapia é indicada para dor em
geral: muscular, osteomuscular, cefaleia, dores agudas,etc.
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Quando um órgão
está debilitado, determinados pontos da pele manifestam
maior sensibilidade. Observando esse fenômeno, há mais de 3 mil anos, os
chineses concluíram que cada órgão possui um correspondente ponto específico
que, uma vez estimulado, pode aliviar a dor, prevenir e até tratar doenças.
Assim nasceu a acupuntura, uma das mais importantes técnicas da Medicina
Tradicional Chinesa (MTC), introduzida no Brasil há mais de 40 anos.
Considerada terapia complementar, desde 1995 é também reconhecida
como especialidade médica. Em 2006, o Ministério da Saúde incluiu a
técnica entre as Práticas Integrativas e Medicinas Complementares do Sistema
Único de Saúde (SUS).
Como funciona
Segundo a médica
Gislaine Cristina Abe, especialista em acupuntura e responsável pelo
ambulatório de Medicina Tradicional Chinesa do Setor de Investigação de Doenças
Neuromusculares da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), o mecanismo de
ação da terapia ainda não foi totalmente elucidado: “Sabe-se que existe uma
relação muito estreita com o sistema nervoso e o movimento da água no
organismo”. Já o médico Dirceu de Lavôr Sales, presidente do Colégio Médico
Brasileiro de Acupuntura (CMBA), explica que, quando um ponto é estimulado, uma
espécie de mensagem é enviada pelos nervos periféricos até o sistema nervoso
central (medula e cérebro). Essa ação provoca “a liberação de substâncias
químicas conhecidas como neurotransmissores, desencadeando uma série de efeitos
importantes: analgésico, anti-inflamatório, relaxante muscular;
além de uma ação moduladora sobre as emoções, os sistemas
endócrino e imunológico e várias outras funções orgânicas”. Como
o ponto forte da acupuntura é a prevenção de doenças e ela não tem
contraindicação, muitas pessoas se submetem à prática visando apenas ao bem-estar
e ao equilíbrio.
Quem pode fazer
Os especialistas
garantem que a técnica é indicada para todos, até mesmo para as crianças.
“Há uma exceção quanto à técnica com agulhas, pois ela não deve ser
usada por pessoas que apresentem alterações na coagulação
sanguínea. Doenças crônicas, em fase avançada, também devem ser avaliadas
com cuidado no aspecto risco/benefício”, informa a médica Gislaine Abe. A única
particularidade é que, de acordo com os fundamentos da MTC, o paciente deve ser
avaliado de forma integral: mente e corpo são partes de uma mesma unidade.
Assim, o médico o escutará, perguntará e fará o exame físico, que inclui a
verificação de seu pulso (parte fundamental do diagnóstico), bem como sua
língua. Exames complementares podem ser solicitados.
Os tipos mais comuns
A Organização
Mundial da Saúde incentiva a prática da acupuntura sistêmica. Mas existem
técnicas que usam pontos auriculares ou regiões cerebrais, indicada
para sequelas de AVC.
Cuidados com as agulhas: As agulhas devem
ser descartáveis; a inserção deve ser feita em uma profundidade adequada e
compatível com a estrutura do paciente e do local a ser estimulado; a assepsia
(limpeza) é imprescindível.
Doenças tratáveis: A terapia é indicada para dor
em geral: muscular, osteomuscular, cefaleia, dores agudas, entre outras.
Outras moléstias tratáveis são: náuseas e vômitos pós-quimioterapia,
dependências químicas, asma, etc.
Riscos mínimos: Surgimento de dor e/ou sangramento.
Riscos mais graves são infecções de estruturas externas e quebra de agulhas,
mas são raros.
Efeitos colaterais: Se praticada por profissionais
rigorosamente treinados, a técnica é segura. Por isso é importante obter
informações sobre as credenciais do terapeuta. As complicações da má
prática são muitas e variadas: desmaios, perfuração do pulmão, infecção
auricular, meningite, encefalite, mastoidite, etc.
Fonte: Disponível em: <http://revistavivasaude.uol.com.br/bem-estar/os-beneficios-da-acupuntura/1150/>. [acesso em: 22/04/15]. Por Ana Paula Ferreira. Texto: Cristina Almeida / Foto: Fabio Mangabeira /
Adaptação: Ana Paula Ferreira.
